COMUNICADO INTERNACIONAL

#PapersForAll

#RegularizacionYa

A todos os governos do mundo e organizações supranacionais: a Rede Internacional de Organizações e Coletivos de Pessoas Migrantes e Antirracistas #PapersforAll exige uma regularização imediata, permanente e sem requisitos para todas as pessoas migrantes e refugiadas neste momento de pandemia global e de emergência sanitária.

Hoje, apesar do confinamento para conter o COVID-19, continuamos a luta por nossos direitos e nossa dignidade, e fazemos um apelo a todos os governos e autoridades relevantes para que respondam nossas demandas por um mundo mais humano, íntegro e inclusivo. Declaramos que temos o direito de irmos a outros países para reivindicar o bem-estar que criamos através de nosso trabalho. Governos e corporações saquearam nossos países de origem durante séculos, e esse roubo continua até os dias de hoje, criando guerras, fome e devastação ecológica.

Como pessoas privadas de liberdade nos centros de detenção de imigrantes, como imigrantes e refugiados, como pessoas indocumentadas a quem são sistematicamente negados os direitos trabalhistas, como ativistas de base no movimento global contra a deportação, levantamos nossas vozes e exigimos justiça para:

• Todos os que migram deixando para todos os que migram deixando para trás seus entes queridos e suas comunidades e que enfrentam a miséria, a exploração, detenção e deportação nos países que vão buscando segurança;

• Aos que morreram tentando cruzar mares, montanhas, desertos e fronteiras;

• Aos sobreviventes de estupro e de outras violências, guerras e devastação ecológica.

A pandemia do coronavírus revelou, outra vez, que as pessoas migrantes ou refugiadas são as que mais sofrem os efeitos desastrosos das políticas de austeridade dos governos neoliberais, especialmente aquelas pessoas que se encontram em situação administrativa irregular.

Os e as migrantes fazem o trabalho essencial nos campos, na atenção e cuidados médicos e nas nossas comunidades e, entretanto, a eles são negados nossos direitos básicos. As mulheres, especialmente as que são mães, realizam os trabalhos de cuidados que sustentam a vida das famílias e das comunidades.

A algumas pessoas migrantes foi outorgado um status temporal de residência para satisfazer as necessidades dos mercados agrícolas e de outros setores de trabalho, mas esses enfrentam a exploração e são privados das condições mínimas de saúde e de segurança no trabalho.

Nós não podemos enfrentar a violência e o COVID-19 em igualdade de condições se não houver o reconhecimento dos nossos direitos, violados devido a leis de imigração profundamente racistas e neocoloniais. É impossível se confinar se não temos renda e se somos excluídos de direitos básicos e fundamentais, como a assistência médica, moradia e alimentação. Todas essas circunstâncias tornam nossas vidas precárias e ameaçam nossa dignidade. Diante desse cenário e desse sistema patriarcal e capitalista, muitas de nós optam pelo trabalho sexual ou outros trabalhos não regulamentados como estratégia de sobrevivência.

Nós rejeitamos e resistimos a essa exploração, discriminação e abuso. Apelamos a todos governos do mundo e organizações internacionais para que concedam #PapersForAll #RegularizacionYa para demandantes de asilo, ingressos em centros de detenção e todas pessoas migrantes e refugiadas indocumentadas.

Por fim, convidamos a todas pessoas migrantes com ou sem documentos e as organizações de base, movimentos sociais, de mulheres, pelos direitos humanos e pela terra, antipatriarcais, anticapitalistas e antirracistas para que se unam em torno da demanda de #PapersForAll e para pressionar em cada território e país do mundo em favor da nossa regularização e pelos nossos direitos nos países em que vivemos.

#PapersForAll #RegularizacionYa

Assine esse comunicado em nome do seu coletivo ou organização. Ao assinar, você concorda em receber nossos comunicados e convites e a organizar o movimento na sua região e proximidades. Entre todas nós conseguiremos!

#PapersForAll

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